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Fragmentos de tela
....Mas é preciso aprender a se despedir de quem se
transforma em primavera
a gente estava feliz
... se não fosse a necessidade de morrer com a missão cumprida (tão linda e serena) do desfolhar de um ipê
Escrito por Geórgia às 22h52
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Coffe break na Travessa
o café da travessa
à luz de soleil
em tom de choro miúdo
de poeta experimental
são meus prantos marginais
dieteticamente matinais
é o blues que me corta
e sangra no pulso que pulsa
é a vida que cicatriza
com muita arnica e boemia
Escrito por Geórgia às 00h22
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O poema, essa estranha máscara mais verdadeira do que a própria face.
(...) é preciso partir
é preciso chegar
é preciso partir, é preciso chegar... Ah, como essa vida é urgente!
Mário Quintana
Escrito por Geórgia às 00h15
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Cada palmo desse chão
aqui começa o caminho
das 14 estações
dessa mina profunda
do diabo que me carrega
a agonia de um gigante
a falta de atitude
dos anjos que me adormecem
e não sabem de cor e de dor
a mesma mão que padece
desenha entre cochilos e grafites
as sucatas e armadilhas
da minha província interna
em retinas náufragas de vodca
há o mesmo negro da sede
a gritar que o preço da liberdade
é a ressaca de desejos remotos
Escrito por Geórgia às 18h09
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Corrosão
a gente não sabe se vai ou se fica
se tanto faz
quando o tanto se desfaz
no quanto que a gente não sabe
a gente finge que sabe
por inteiro essa facção
que divide o eu e você
que porventura há em nós
mas a gente sabe
o quanto choram os mais
que se desfazem em ais
do que vamos deixando para trás
Escrito por Geórgia às 18h49
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Feliz 2008!
muita sorte, saúde, fé e luz.
Vou para o Rio
curtir todo o meu drama
em dia primeiro de ano
na boca um gosto caro
de whisky de boa fama
de barato basta meu sonho
fantasiado de anos passados
Escrito por Geórgia às 11h13
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Fragmentos de tela
- Por ser tarde demais
(...) Não sei se é o lado excêntrico-carmim ou se é o lado esquerdo-desbotado, mas o registro é sem escapatória, e nenhum ponto de fuga. É uma grande explosão. Perdoe-me, se excedo à sombra dessa luz que me vela. Perdoe-me se crio formas que, quando confessas, renderiam-me a salvação da rainha. Eu me perdôo por deixar-te em navalha incisiva, retalhar-me a carne fresca, porque ainda é tempo, e morrer é uma atitude. Hoje é um tempo assustador e escorre pegajoso em degraus de vida e suas vertentes; - a minha marca d’agua de resistência. Uma das sensações do gelo é o derretimento pontual e constante, penetrando todas as fendas da superfície. Insights in black noir. O gosto que vem da boca, em novo dia de cortes e cicatrizes, é só rima de fundo quando eu me sinto um excesso. E já é tarde.
Escrito por Geórgia às 19h06
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Raízes
tão milimetricamente em cascas
e tanta vida escondida
entre a formiga com desejo de canto
e a cigarra com direito de exílio
são tantas as coincidências
que semelhanças não se disfarçam
quando te ajeito em meu peito
e te canto em delírio
Escrito por Geórgia às 20h04
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Um aparte quase-lírico
a boca que te devora
é a mesma que me silencia
o amor que te aguarda
é o mesmo que me adia
o bem-te-vi que te gorgeia
é o que me faz o ninho
no feitiço das palavras
que se acabam em a-penas
resta a folia
que te fez poesia
a mesma dos olhos
de quem a lê
Escrito por Geórgia às 15h25
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Teu segredo é tão parecido contigo que nada me revela além do que já sei. E sei tão pouco como se o teu enigma fosse eu. Assim como tu és o meu. Clarice Lispector
A-pesar do silêncio dito
você abusou
da geometria matemática
desse tango
quanto mais entendo
o silêncio que te diz
menos percepção tenho
dos seus passos
que em falso
danço
Escrito por Geórgia às 18h51
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Noturno
ainda te respiro, amor
entre o cetim e as dobras
dos meus lençóis
ainda me escorrego, amor
no perfume que deixaste
na insônia do meu faz-de-conta
Escrito por Geórgia às 21h50
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Eu não sou fotógrafo, escritor, pintor. Sou o empalhador das coisas
que a vida me oferece todo dia (Jacques Henri Lartigue)
Sobre a mesa um domingo de aniversário
sobre a mesa
um domingo
um café fumegante
uma trilha de formigas
o desapego em que me escorrego
adocidada entre o fel e o mel
pacientemente junto as peças
tal qual a caixa lacrada
do aparelho inglês
guardado em cima do armário
(22/07)
Escrito por Geórgia às 20h00
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«Viver não dói. O que dói/ é a vida que não se vive.» (Emílio Moura)
Um domingo e suas visibilidades
uma manhã de domingo
borda mil raios solares
na leveza da toalha de linho
jarra de cristal enfeitada de ontem
um cheiro de café coado
e o gosto quente da broa de fubá
a única melancolia visível
é a torneira que pinga
e o cachorro abanando o rabo
Escrito por Geórgia às 18h50
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expressão poética sobre a autópsia de uma alma
até onde vão meus segredos grogues
e o nó que desafia
essa dor sem legenda
de querer-te aqui
sou saudade
condensada sem limites
que expande essa loucura
do vício de guardar-te em mim
não me basta simplesmente
o meu fiapo de voz
em algumas palavras gregas
no limite que me espreme
se me faço como tu gostas
e sinto-te no que sinto
fica tudo o que se fez
no muito que se faria
sempre exausta e abandonada
na ressonância desse lamento
- tenho um túmulo entreaberto
e espólio sem intenção
Escrito por Geórgia às 18h28
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Fragmentos de tela
«Amor nenhum dispensa uma gota de ácido.»
Carlos Drummond de Andrade
(...) Flashs são resistentes e rebeldes; insistem colorir o que é preto e branco. Do alto da bancada você acena, com identidade e sobrenome, a posse do meu sorriso largo e perdulário. Nem quando te viro para a parede a calma prevalesce ou você me perde em um olhar desatento. Você me enxerga até quando em alta prioridade, e sem perder a diplomacia, saco uma arma automática para alterar a tamanha desigualdade que ainda nos nutre.
(...) Sequer tenho um plano para mudar essa retórica insustentável ou para trocar a bala por festim, que machuca. mas não mata.
(...) Tudo é uma grande cilada. O circo, as fotos, os livros, as flores, o café esfriando e o gatilho que engasga. Nessa noite barata, até eu, sou uma grande cilada.
Escrito por Geórgia às 20h14
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